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É Realmente Possível Quebrar o Pescoço de Alguém Usando Apenas as Próprias Mãos ou Isto é Fantasia de Hollywood?
Sou ator, e muito me interessa saber todo tipo de detalhe sobre minha profissão. Uma das coisas que mais me incomoda, ao ver filmes de ação, é a facilidade com que as personagens “quebram o pescoço” de suas inimigas com um simples movimento das mãos. Está claro que isto não é realista, já que se nossos pescoços fossem tão frágeis, muito provavelmente nossa espécie não teria chegado aos dias de hoje… Mas tive acesso ao depoimento de um cirurgião especializado em colunas que, por acaso, também é praticante de lutas marciais. E foi isto que ele explicou:
Dá para quebrar um pescoço usando as próprias mãos? Sim. O que não dá é para contar com a boa vontade da outra pessoa em deixar você quebrá-lo. Além dos ossos, a pessoa que está quebrando o pescoço terá que lutar, também, contra os músculos que estão em volta dele. Se você tentar quebrar o pescoço de alguém, pode ter certeza: a pessoa fará uma força contrária ao seu movimento. Um adulto forte teria muitos problemas ao fazer isto com um idoso debilitado pela osteoporose ou uma criança? Provavelmente não… Mas levando em consideração que a maioria das personagens que têm seus pescoços quebrados em filmes costuma ter um perfil atlético, pode ter certeza: a tarefa não seria nada fácil. É bem possível que o agressor consiga causar uma distensão muscular, mas quebrar o pescoço? Bem improvável…
Outro detalhe importante relatado por este cirurgião que é bem mal retratado nos filmes é que as vítimas do “golpe fatal” caem, inconscientes, logo após “terem seu pescoço quebrado”. Mesmo se o golpe fosse tão violento que fraturasse a espinha, isto não costuma causar inconsciência. O mais provável seria a pessoa ficar é muito brava e reclamar da dor intensa no pescoço, mas não despencar no chão como se tivesse virado geleia.
Somos bem mais resistentes do que os filmes costumam retratar. Tiros, por exemplo, também raramente levam a pessoa ao chão imediatamente. Mas este é assunto para outro artigo…
